Dança Holística

Há cerca de dois anos, profundamente mergulhada numa depressão, tive necessidade de um tempo de afastamento do mundo. Foi então que iniciei um caminho em  busca de mim mesma. E nesse caminho, encontrei a dança. Descobri a "dança como linguagem da alma"; como arte; como veículo de beleza, pureza, feminidade e também, como forma de devoção à vida ou ao "Amado", como Rumi designava Deus. 
Nesse ano ido, talvez a dança tenha mesmo sido a boia de salvação a que me agarrei e que me manteve à tona da água. Encontrei, através da dança, a minha essência criadora e feminina. Deixei de ver kilos para passar a ver beleza. E, guiada pelas doces e sábias mãos das minhas professoras Claudia e Lalita, aprendi a dançar com o coração.
As danças orientais, como a dança persa, a dança indiana, conservam ainda a sua essência; o motivo primário da sua criação. Em tempos idos, estas danças sublimes eram formas de arte que se usavam nos templos ou nos palácios, como oferenda aos deuses - portanto, como forma de devoção - ou como forma de honrar o Rei. Em particular, a dança persa deu origem ao que hoje se conhece como ballet.
Não é pois de estranhar, que o dia que soube que fechavam definitivamente as portas da minha escola de dança, me tenha deitado em cima da cama a chorar, desconsolada. 
Felizmente a Claudia e a Lalita, que, tal como eu, já não vivem em Madrid, continuam a aparecer para oferecer workshops e retiros de dança holística.
E isto era o que hoje quería contar! Estou a contar os días para o meu retiro de Dança Kundalini com a Lalita! Na mala, levo véus, saias rodadas de varias cores para girar horas a fio, a minha esteira de yoga, o meu caderno onde registo os meus pensamentos, uma coroa de flores e uma ametista - que será colocada no altar para que se carregue de toda aquela vibração. Ah!, e claro, levo também muitos sonhos!
Vão ser uns días no campo, sem conexão de telemóvel, completamente entregue à dança, como meditação em movimento; à arte, à vida, a Deus.


Vem
Te direi em segredo
Aonde leva esta danca.

Vê como as particulas do ar
E os graos de areia do deserto
Giram desnorteados.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.

Rumi, Poesia Sufi

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