Rupi Kaur


Viajo bastante, por motivos profissionais. O que, por sua vez, significa que passo muito tempo em aeroportos. 
Às vezes, abro o computador e aproveito para trabalhar. Outras vezes, vou ver montras e fazer compras. É também nos aeroportos e nas estações de comboio onde actualmente compro a maioria dos livros que depois leio.
E foi assim que, no aeroporto de Bruxelas, descubri Rupi Kaur, em inglês.

Tal como tenho o hábito de comprar muitos livros, tenho também o hábito de, acto seguido, os devorar. E foi assim que num voo Bruxelas - Madrid li cem páginas do último livro de Rupi Kaur, "The Sun and her Flowers".


Acontece que, apesar da tentação, a escrita de Rupi Kaur não deve ser devorada. Rupi Kaur escreve poesia com a mesma delicadeza e cuidado de quem toca uma harpa ou borda um vestido à mão. 
Rupi Kaur escreve sobre si e sobre todas nós: sobre o amor, a capacidade de dádiva, a auto-estima, as relações abusivas e sobre o poder demolidor de uma relação tóxica.
As palavras tocam-nos com a suavidade de uma carícia e simultaneamente, com a força de um vendaval. E nada mais permanece igual.
A sua escrita deve por isso ser contemplada e suavemente saboreada.
Difícil escolher um poema entre os vários com que nos presenteia… 
Deixo-vos o poema da contra-capa:

this is the recipe of life
said my mother
as she held me in her arms as i wept
think of those flowers you plant
in the garden each year
they will teach you
that people too
must wilt
fall
root
rise
in order to bloom

- Rupi Kaur

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