O meu infinito particular
Há mais de um ano que vivo fora da cidade.
Para ser sincera, olhando para trás, não sei como aguentei tantos anos vivendo em Madrid, tão perto do centro, no meio do bulício, cercada por verdadeiros autómatas que se deslocam do trabalho para casa, da casa para as creches, das creches para os supermercados, numa sucessão absurda de dias a que pomposamente chamam "vida".
Sou de Sintra. Sintra é uma pequena vila e nunca chegará a ser cidade. Também eu não tenho pretensões de ser aquilo que nunca fui, no caso, uma pessoa citadina. Sou e serei sempre saloia. "Com muito gosto!"
Preciso de espaço. Preciso do meu espaço. Preciso de árvores, de ruas largas, de ver pouca gente nas ruas. Preciso de água e de céu. Preciso da frescura da relva acabada de cortar, ou do cheiro da chuva, acabada de cair no chão ainda quente do Verão.
Preciso do silêncio que perfuma todas as divisões da minha casa. Preciso da solidão; da introspecção. Acima de todas as coisas preciso de saber-me e sentir-me em comunhão com a Natureza e com a minha essência. Preciso de mim: de me escutar, de me ver, de sentir o latir do meu coração, que me diz sempre tantas coisas.
Vivo num último andar. Do meu terraço, vê-se "apenas" isto:
Há um céu acima de mim! - penso cada dia, ao chegar a casa. E aquilo que era importante, deixa de o ser tanto... Haja o que houver: há um céu infinito acima de mim!



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