Epifanía
O Facebook, lembra-me que, há um ano atrás, eu estava no Porto, onde, precisamente neste dia, decorria a entrega de prémios do "Concurso Nacional de Textos de Amor". Fui premiada por este Concurso durante dez anos seguidos (de 2007 a 2017), até que ganhei vergonha na cara e deixei de concorrer… Acho que o juri, quando me via já dizia : "Ah...a menina… outra vez aqui!".
Repito muitas vezes, talvez demasiadas, que os últimos 7 anos foram a pior época da minha vida até agora… Que me limitei a sobreviver, em vez de viver. Recorrentemente, esqueço-me, no entanto, que foi o facto de viver uma fase tão má que me fez pegar numa caneta e num papel e de forma consistente e incansável, dia após dia, evadir-me dessa realidade, através da criação literária. E assim nasceu o meu primeiro romance - que vos adianto, está em processo de revisão editorial e deverá sair para o mercado entre 2019 e 2020.
Neste momento trabalho no meu segundo romance: uma história que nada tem a ver com a história do primeiro, mas que me parece igualmente bela. Escrevi sem cessar 15 capítulos, até que tive de parar... Tenho consciência de que devo estar mais ou menos a meio da narração global, mas simplesmente ainda não descobri a melhor forma de continuar... Quero dar um destino apropriado aos meus personagens; aquele que eles merecem desde o princípio do livro e talvez desde muito antes, desde a ideia sonhada. Mas é agora altura de parar até que esse momento mágico a que muitos chamariam de "epifanía" aconteça.
Dizem que todos levamos dentro uma história que contar. Bem, eu levo várias! Engenheira de profissão e sonhadora por vocação, gosto de acreditar que a minha missão na Terra passa por criar o que Elizabeth Gilbert chama de "jóias para a alma".
Escrevo porque preciso faze-lo. Caso contrario, enlouqueceria. Escrever, criar, é para mim parte do meu processo de "higiene mental". Mas alguém que escreve, também quer ser lido. E não negarei que quando alguém conecta com aquilo que escrevo, sinto uma profunda alegria e reconhecimento.
No decorrer dos meus días, já tive de ouvir coisas como "escreves assim porque tens muito tempo livre". Não tenho. Sou tão ou mais exigente na minha vida profissional do que o sou na minha vida pessoal. Trabalho que me desunho todos os dias: a minha rotina começa às seis da manhã cada dia, às vezes antes, e trabalho muitas vezes mais de doze horas seguidas. Viajo todas as semanas, às vezes trabalho aos fins de semana e não deixo mails pendentes na minha caixa de correio por mais de um dia, o que com o volume de trabalho que por vezes tenho, não deixa de ser impressionante. Mas a disciplina, a constância, a organização e a visão do que quero e de onde quero estar, têm-me levado longe. Todo o meu tempo está cronometrado milimetricamente. Quando começo a sentir que estou a perder o meu tempo, abandono o campo. Trata-se de respeitar-me a mim e o meu tempo. Sei que só assim consigo atingir aquilo que quero. Em ocasiões, tenho de parar por cansaço e por vezes a escrita pode ser o caminho que me leva de volta ao meu centro... Um bálsamo para a alma; a minha meditação; o meu descanso.



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