À Mónica
Ela tem menos de 1,60m e não chega a pesar 50kg... Tem nariz arrebitado e refila que se farta. Ninguém faz farinha com ela. Chama-se Mónica. É minha colega. E em pouco tempo, tornou-se uma grande amiga e confidente.
Era dia 8 de Janeiro de 2019 e todos voltávamos de uma merecida pausa natalícia. Ela perguntou-me se quería tomar um chá com ela. "Tomar um chá ou uma Coca-Cola", é o nosso código secreto: já sabemos que precisamos falar. Imediatamente levantámo-nos.
Entrámos na pequena cozinha e ela correu a porta, de forma a fechá-la. E então soltou: "Vou-me embora da empresa." "Como?", pensei, "O quê?" - e foi como ter levado dois bananos assim de repente. Senti-me meia azamboada e em estado de choque. E só balbuciei: "Devo dar-te os parabéns?"
Foi tudo tão rápido que nem tive tempo de lhe preparar nada, nenhuma surpresa, alguma coisa que guardar meu ou nosso, das colegas; que possa guardar e atesourar, para os días que hão-de vir.
Estamos sentadas uma em frente à outra no gabinete, isto é, quando estamos lá (coisa rara, já que passamos a vida em viagens, ela nas dela, eu nas minhas). Quer dizer… estávamos. Agora ela vai embora.
Ainda que em frente uma da outra, falamos normalmente pelo Messenger interno. Hoje, último dia da Mónica na empresa, ela disse-me, pelo Messenger: "Vou sentir a tua falta... Ficava sempre tão feliz quando chegava ao gabinete e descobria que também cá estavas!" Senti um nó na garganta e pedi-lhe que não me dissesse mais nada... Só me apetecia chorar. Deslizei na cadeira de modo a esconder a cara à frente do écran e do outro lado ouvi-a fungar.
Quando se gosta de alguém, só lhe podemos desejar bem, ainda que na equação podamos sair perjudicados. Hoje sinto-me triste: a Mónica vai embora da empresa. Já não vou ter ninguém a falar aos berros à minha frente, já não vou ter ninguém a entortar os olhos e a fazer cara de parva só para me arrancar uma gargalhada, já não vou ter ninguém a quem dar conselhos de cuidados de pele - como ela adorava. Mas espero ainda continuar a receber as chamadas da Mónica, às vezes depois da meia noite, só para nos rirmos ou chorarmos baixinho no ombro uma da outra.
A Mónica ainda não sabe, porque é a primeira vez que muda de trabalho, mas quando mudamos, há uma coisa que nos fica para sempre: os nossos amigos; aqueles que um dia foram nosso apoio, nossos confidentes, quase nossa familia. O resto... Bem… Não há resto.
À Mónica e a todas as "Mónicas" que se cruzaram comigo durante a minha vida profissional… Desejo-vos tudo de bom e saibam que onde eu estiver, levo-vos no meu coração.
Só para esta Mónica: Adoro-te. Conta comigo. Hoje e sempre.
(E pronto, bem que nos esforçámos para não chorar, mas lá conseguiste!)



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