A Máquina Registadora

              Devia ter os meus nove ou dez anos, quando o Pai Natal me trouxe uma Caixa Registadora. Era uma caixa registadora de dimensões que se assemelhavam às Caixas Registadoras reais, era cor de laranja vivo, tinha uns números salientes e quando abria a caixa das notas fazia “plim”!

                Nos dias que se seguiram ao Natal de esse ano, dediquei-me a cortar pequenos retângulos e círculos em papel, onde fui escrevendo o valor correspondente, respetivamente, às minhas notas e moedas, naquela altura, ainda em escudos.

                Lembro-me que também tinha um telefone e uma pequena máquina de calcular – onde fazia as somas.

                Para a brincadeira, não podiam também faltar o papel de embrulho, os laços e a fita cola.

                E pronto, com estes elementos, estavam reunidas as condições para a criação da minha loja! Às vezes a Sra. Manuela ou o Sr. Soares telefonavam para encomendar o que desejavam e mais tarde passavam na loja para vir buscar! Somava-se tudo o que queriam levar, embrulhava-se bem num bonito embrulho, punha-se um laço, e teclava-se os números correspondentes à soma, freneticamente, na máquina registadora. A máquina fazia “plim”!, e abria, com tanta velocidade, que os pequenos papeis das notas e moedas voavam todos para partes distintas do quarto!

Tinha de atender rápido o meu cliente, porque a minha loja estava sempre à pinha, cheia de gente, mas o cliente nunca ia embora sem o meu melhor sorriso e um “volte sempre”!

Era uma brincadeira tão gira que podia passar horas e dias nisto, a atender pessoas na minha loja.

                Há uns dias lembrei-me disto…. Perguntava-me porque é que raio eu gosto tanto de atender clientes (atualmente, sou gestora comercial) …

                Hoje em dia, aquilo de que mais gosto é sentir que estou a dar valor ao cliente; que o estou a ajudar, que lhe dou algo que ele precisa e valoriza. Também gosto do sorriso com que sou recebida sempre que entro na fábrica de um cliente; a alegria que têm em ver-me!

                Mas tenho impressão que, sempre que atendo uma chamada de um cliente pelo meu telefone, estou outra vez a atender a Sra. Manuela ou o Sr. Soares, na minha loja dos nove ou dez anos! Deve ser por isso que gosto tanto de fazer o que faço.

                Agora já não tenho máquina registadora, mas a “brincadeira” é a mesma.

                Comentando tudo isto com a minha mãe (autora da ideia de presente da máquina registadora), ela não pode deixar de comentar: “Se quiseres ofereço-te outra máquina! Mas olha que as de hoje já vêm ligadas à Central das Finanças!”

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