F*dei-vos

Confesso que, para escrever o artigo que hoje aqui podem ler, comecei por fazer uma pesquisa na internet. No entanto, poucos minutos depois, decidi, em vez de construir uma dissertação teórica sobre o referido assunto, passar a uma abordagem mais pragmática sobre o mesmo, ao estilo de "storytelling". E tenho hoje um exemplo real vivido na pele, de autêntica toxicidade, que, entre outras coisas, me relembrou o porquê de, há muito tempo, eu ter decidido recolher-me na minha concha e no meu mundo e restringi-lo a uma escassa casta de pessoas, que se contam pelos dedos de uma mão.
Longe vão os tempos em que eu acreditava que o ser humano era genuinamente bom, de forma inata. Nesse tempo, eu punha as mãos no fogo por toda a gente e desfazia-me por retribuir o bem que me faziam e até aquele que não me faziam. Hoje, eu já não tenho tanta certeza se o ser humano é bom ou mau ou se simplesmente procura servir a si e os seus interesses, sendo por isso, nem bom nem mau, simplesmente utilitário.
O que sim acredito é que o nosso mundo é em muito configurado pelas nossas experiências. E quem vive rodeado de gente tóxica, vive, na minha humilde opinião, com uma nuvem em cima da cabeça, que não permite ver o sol. Por isso, amigos, saber afastar-se de quem não nos convém, é um acto de coragem, mas também de sabedoria.
Começo-vos por contar uma história, vivida na primeira pessoa: o ano passado, fui operada. Fui operada ao estômago. Se foi uma operação realizada por saúde ou por estética, fica ao vosso critério. Eu diria que foi uma operação à minha auto-estima e talvez algo que eu fiz por não ter sido suficientemente forte para mandar à merda quem, aproveitando um momento em que nos encontramos mais fragilizados, não deixa passar a oportunidade de nos pôr um pé em cima. Hoje sei que não me operei para me livrar dos kilos a mais; operei-me para livrar-me dos comentários maldosos, dos olhares de desdém, do estigma do peso. Para poder pôr comida à boca, sem que olhassem para mim como um animal, ou que me dissessem que em vez de comer, "aspiro comida, como um Ferrari" - sim, porque termos peso a mais, dá legitimidade a muitas alminhas para nos presentear com esta e outras gentilezas do estilo. Eu só quería ser "normal" - isso, "normal" - a coisinha mais aborrecida que se pode ser neste mundo.
Infelizmente, a operação foi ao meu estômago e não à boca de certas pessoas e por isso, não foi com uma operação que eu consegui deixar de ouvir comentários tóxicos. Senão vejamos: ainda na semana passada, escutei as seguintes palavras, que me eram dirigidas: "A comeres tão pouco, não sei como não estás mais magra!" Porreiro, não acham?! Depois de perder quase 30 kilos, este foi o comentario com que fui presenteada! Que tal?!
Nunca fui boa a responder a quente… sobretudo porque nunca me vem à cabeça aquilo que efectivamente deveria dizer. Tenho de pensar, para depois responder. Mas hoje, alguns dias recorridos desde esta vivência, eu já tive tempo de pensar naquilo que tenho a dizer a todas as pessoas que se dedicam a amargar a existência alheia: ide-vos f*der.
Era só isto.
Boa tarde.







Comentários

  1. Respostas
    1. Querida Ana!!! Muitas saudades tuas, meu amor! Vamos ver-nos em breve: quero dar-te um abraço do tamanho do mundo!💖💖

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