Feira do Livro
Lembro-me perfeitamente da primeira vez
que fui à Feira do Livro. Tinha dezasseis anos. Estávamos em Maio e
aproximava-se a época das Provas Finais.
Naquela altura, eu não sabia que
havia tal coisa como a Feira do Livro: um universo povoado de livros… Livros de
todos os temas, de todas as formas, de todos os feitios.
Eu era aquela pessoa que
“cravava” sempre um livro nas compras mensais, que a minha mãe fazia no
Continente. Eu também era aquela pessoa que devorava todos os livros que comigo
se cruzavam, já fosse em casa dos meus país, ou na casa dos meus avós. E, no
entanto, aos meus dezasseis anos, ali estava eu, no paraíso dos livros,
desconhecendo, até àquele momento, a existência de tal paraíso.
Naquela ocasião, que foi nada
mais nada menos que a minha primeira visita à Feira do Livro, o meu pai
ofereceu-me quatro livros: dois de Matemática e dois de Fisico-Química, com o
pretexto de me preparar para as Provas Globais. Um deles, de Matemática, tinha
a capa roxa e era de escolha múltipla. Lembro-me que fiz os exercícios todos de
uma ponta à outra. Tive 19 valores na prova global.
Mais tarde, quando já tinha
autonomia para ir a Lisboa sózinha, não voltei a perder uma Feira do Livro.
Primeiro em Lisboa. Depois em Madrid.
Há dois anos, Rosa Montero,
prestigiada autora espanhola, assinou um dos seus livros e dedicou-mo, na Feira
do Livro de Madrid.
O ano passado, fui à Feira do
Livro em Madrid e comentei com o meu namorado: “Quem me dera um dia poder
sentar-me daquele lado da bancada, enquanto assino um livro meu!” Disse-o, sonhadora, com
lágrimas nos olhos e desejei ardentemente que tal sonho se concretizasse.
“Um dia”,
disse-me ele, “um dia vai ser assim”.
E esse dia chegou.
14 de Junho estou na Feira do
Livro e assino “Todos os Dias” – o meu primeiro romance.
Às vezes… Basta sonhar!



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